PPGSEG - UVV
Projeto de Extensão: Cartografias sensíveis e interdisciplinares em Microzonas de Acolhimento
Uma experiência de escuta, criação e leitura dos territórios a partir de memórias, afetos, corpos e relações.
Doutorando: Anderson de Sousa Lima
Orientadora: Maria Riziane Costa Prates
Cartografias sensíveis e interdisciplinares em Microzonas de Acolhimento propõe uma experiência de escuta, criação e leitura dos territórios a partir de memórias, afetos, corpos e relações. A atividade articula arte, educação e pesquisa para mapear vivências, narrativas e percepções do espaço, estimulando participação, pertencimento e imaginação coletiva. Usa como intercessão teórico metodológica Deleuze e as cartografias sensíveis, bem como outros autores adeptos à filosofia da diferença. A proposta dialoga com o espírito do InovaWeek, voltado à inovação, interdisciplinaridade e transformação social, tendo como público alvo, os participantes do InovaWeek, ou seja, estudantes, docentes, funcionários da UVV e visitantes em geral, jovens, adultos e idosos. A experiência articula cards com perguntas, leitura por QR code e formulário digital, integrando presença, participação e registro de narrativas em uma dinâmica sensível, interativa e colaborativa. O público é convidado a pausar, tomar um chá, conversar e registrar percepções sobre território, memória, afetos e vivências. Haverá uma estrutura com Espaço de acolhimento com mesa, chá e ambientação para conversa, Cards com perguntas curtas e mobilizadoras, como memória, pertencimento, deslocamento e afeto, QR code visível no espaço, levando direto ao formulário para leitura da proposta e envio das respostas. Como resultado, haverá a sistematização de respostas em planilha e gráficos automáticos no ecossistema do Forms, a partir de algumas questões como: que território te habita hoje? Que memória este espaço desperta em você? Onde você sente pertencimento? Que encontros transformaram seu caminho? O que precisa ser escutado aqui? Que afeto você deixaria neste mapa? Toda essa proposta articula-se à pesquisa de doutorado em andamento intitulada - Segurança Pública em “espaços livres”: práticas de acolhimento e resistência de pessoas LGBTQIAPN+ nas escolas públicas do Espírito Santo, que está sendo produzida de 2026 a 2029.
A Sala de Acolhimento será um espaço de pausa, escuta e conexão, criado para oferecer conforto e segurança em meio à movimentação do evento. Inspirada no conceito de Cartografia dos Afetos e das Resistências, ou Cartografia Sensível (Rolnik), a sala funcionará como uma microzona de proteção e pertencimento, onde cada pessoa poderá respirar, tomar um chá, registrar suas memórias e compartilhar — de forma pública ou reservada — aquilo que deseja transformar em cuidado, apoio e liberdade.
A sala contará ainda com um Caderno de Memórias Silenciosas, destinado a quem preferir registrar sua experiência de forma privada. Nele, será possível escrever uma carta, um poema, um desabafo ou uma mensagem para o próprio eu do passado, sem necessidade de identificação.
A Sala de Acolhimento não será apenas um ambiente de descanso, mas uma instalação participativa e sensível. Cada chá servido, frase pendurada, fita amarrada, marca deixada no painel, página escrita ou áudio escutado contribuirá para a construção de uma memória coletiva sobre cuidado, resistência e liberdade.
Entre, respire, escute e deixe sua história habitar este espaço.
Com Riziane fazendo a leitura das percepções da árvore
Acolhendo o público: distribuindo carinho, chá e uma fanzine do projeto
A equipe trabalhando junta!
Explicando sobre a pesquisa do doutorado
Em uma área aconchegante da sala, haverá um varal iluminado com pequenas luzes quentes e cartões coloridos. Os visitantes serão convidados a responder à pergunta:
O que torna um lugar verdadeiramente livre para você?
As frases poderão ser escritas anonimamente e penduradas no varal, formando um mural coletivo de desejos, lembranças e imagens de acolhimento. O espaço também contará com almofadas, mantas e assentos confortáveis, criando um ambiente propício à permanência, à reflexão e à troca.
A Árvore de Memórias será o elemento central da sala. Uma escultura construído atravez do reaproveitamento de descartes de Escolas de Samba, iluminação suave e fitas coloridas, ela representará as histórias, os apoios e as estratégias de resistência construídas ao longo das trajetórias individuais e coletivas.
fitas coloridas serão amarradas na copa, registrando as pessoas, grupos e lugares que oferecem apoio; indicando estratégias de proteção e sobrevivência; e representando palavras, sonhos e desejos relacionados à liberdade, ao pertencimento e à construção de espaços mais seguros.
O painel será o principal espaço de construção da Cartografia Sensível. Nele, os participantes poderão deixar marcas por meio de fitas, adesivos, cartões e linhas coloridas, registrando percepções sobre os lugares de tensão e os lugares de afeto vivenciados no ambiente escolar e social.
Os tons frios poderão indicar situações de medo, assédio, silenciamento ou vulnerabilidade. Já os tons quentes representarão acolhimento, liberdade, aliança, proteção e pertencimento. Com fios de lã, será possível ligar um ponto de tensão a uma estratégia de resistência — mostrando, por exemplo, como uma amizade, um coletivo ou determinado lugar ajudou alguém a atravessar uma experiência difícil.
Ao longo do evento, o painel se transformará em um mapa vivo, construído pelas diferentes histórias e contribuições dos visitantes.
O Espaço do Chá será a porta de entrada para a experiência de acolhimento. O ambiente contará com chás, como camomila e frutas vermelhas, além de biscoitos e outros pequenos alimentos, oferecendo uma pausa simples e afetiva para quem circula pelo evento.
A iluminação será quente e suave, evitando a sensação de um ambiente frio ou institucional. A proposta é que cada visitante possa chegar, sentar, tomar um chá e se sentir à vontade para conhecer os demais espaços da sala no seu próprio ritmo.
Junto ao chá, poderão ser disponibilizados cartões de respiração e ancoragem, com exercícios simples para ajudar na reconexão com o presente, como a técnica dos sentidos 5-4-3-2-1
O Espaço de Escuta será destinado às conversas individuais ou em pequenos grupos. Em um canto mais reservado, com banco, almofadas e iluminação acolhedora, os visitantes poderão falar, conversar ou simplesmente permanecer em silêncio.
A escuta será conduzida de maneira respeitosa, sem julgamentos e sem a obrigação de compartilhar qualquer experiência. Cada pessoa poderá decidir como deseja participar: conversando, escrevendo, deixando uma marca no painel ou apenas aproveitando alguns minutos de descanso.
O espaço também poderá apresentar informações sobre redes de apoio, serviços de acolhimento e canais institucionais, para que ninguém precise enfrentar sozinho situações de violência, discriminação, sofrimento ou insegurança.
Um Espaço de Áudios que permitirá aos visitantes escutarem relatos, poemas e mensagens breves por meio de QR Codes disponíveis na Árvore de Memórias e em displays de acrílico distribuídos pelo ambiente. Com o próprio celular e fones de ouvido, cada pessoa poderá acessar as chamadas Cápsulas de Som.
Os áudios abordarão temas como memória, sobrevivência, afeto, resistência, pertencimento e esperança. A experiência será individual e silenciosa, permitindo que cada visitante escolha o que deseja ouvir e o tempo que deseja permanecer nesse momento de conexão.
Os áudios produzidos serão uma coletânea do autor em parceria com outros colegas de curso e estarão disponibilizados em uma página em formato de podcast após o lançamento no INNOVAWEEK
Um fanzine dobrável para carregar no bolso.
Relatório Visual e de Engajamento:
INOVAWEEK 2026 Projeto: Cartografias Sensíveis e interdisciplinares em Microzonas de Acolhimento
Programa: Pós-Graduação em Segurança Pública – Universidade Vila Velha (UVV)
Estrutura Visual e Ambientação do Espaço O ambiente foi projetado para materializar o conceito de uma "Microzona de Acolhimento" de forma física e sensorial. A sala foi dividida em estações estratégicas:
Cantinho do Café: Uma mesa disposta com garrafas térmicas para chá, xícaras clássicas e doces (cupcakes), criando um ponto inicial de conforto e recepção.
A Árvore Sensível: Uma estrutura tridimensional em formato de árvore foi montada no espaço, funcionando como um elemento interativo onde os visitantes amarraram fitas coloridas ao longo dos dias do evento.
Painéis e Textos: As paredes exibiram poesias impressas (ex: "Nossos corpos são mapas vivos de tudo que nos negaram..."), um mural com post-its amarelos para interação direta, e um quadro técnico correlacionando "Palavras/Sentimentos" (como Acolhimento Familiar e Força Coletiva) com seus significados práticos para a dinâmica.
Identidade Visual: O espaço contou com o logotipo do projeto "Cartografia Sensível - Proteção, Acolhimento, Escuta" e banners do Instituto Nação de Valor com o lema "Juntos por um mundo melhor".
Dinâmica de Interação e Acolhimento A estratégia de abordagem fugiu do formato tradicional de exposição acadêmica. A equipe distribuiu pequenas caixas geométricas coloridas (brindes) aos visitantes. A entrega foi acompanhada por uma mensagem de acolhimento e a oferta de chá. O material distribuído continha um QR Code integrado, permitindo que os participantes escaneassem o código com seus smartphones para acessar e acompanhar os resultados e o andamento da pesquisa de doutorado em tempo real.
Aceitação do Público e Engajamento Os registros indicam uma alta adesão e uma recepção extremamente calorosa por parte dos visitantes do INOVAWEEK.
Interação Digital: Os visitantes demonstraram curiosidade imediata, abrindo as caixas e utilizando os celulares para ler os QR codes ali mesmo no estande.
Clima e Participação: O ambiente gerou sorrisos e engajamento ativo. Pessoas de diferentes idades pararam para interagir com a equipe, tirar fotos (com auxílio de iluminação da própria equipe) e amarrar as fitas na estrutura da árvore.
Feedback do Autor: Durante o registro do último dia, a dinâmica foi descrita pelo autor como uma forma de acolher as pessoas com um "chazinho" e uma "mensagem de acolhimento", conectando o afeto diretamente com a entrega da pesquisa de doutorado.
Participar de uma pesquisa, compartilhar vivências e depois nunca mais saber o que foi feito com essas informaçõe, na ciência tradicional, acontece muitas vezes: os pesquisadores coletam os dados, encerram a conversa e o resultado só aparece anos depois, em textos difíceis ou espaços que a maioria das pessoas não acessa.
Neste projeto, nós mudamos essa dinâmica. Acreditamos que a pesquisa precisa ser transparente e justa com quem a torna possível. Por isso, implementamos um sistema de devolução em tempo real. Quem participa recebe um acesso direto, via QR Code entregue em nossas ações e acessível em pontos do Campus universitário, e pode acompanhar, pelo próprio celular, os resultados parciais e o andamento do estudo enquanto ele ainda está acontecendo.
O objetivo dessa ferramenta é quebrar a distância entre a universidade e a comunidade. Essa é a nossa forma de garantir que a informação volte rapidamente para quem a gerou. Não deixamos a apresentação dos resultados para um futuro distante; nós abrimos o processo para que todos compreendam, de forma imediata e acessível, como a sua voz está ajudando a construir e direcionar o nosso trabalho.
Equipe Envolvida A execução do projeto ao longo dos dias contou com a presença da equipe estruturada:
Doutorando: Anderson de Sousa Lima.
Orientação: Maria Riziane Costa Prates.
Equipe de Apoio e Extensão: Luciene Vianna de Araujo, Patrícia Santos de Oliveira e Rose Alves de Oliveira.