Segurança pública em “espaços livres”
Práticas de acolhimento e resistência de pessoas LGBTQIAPN+ nas escolas públicas do Espírito Santo
Práticas de acolhimento e resistência de pessoas LGBTQIAPN+ nas escolas públicas do Espírito Santo
PPGSEG - UVV
Uma experiência de escuta, criação e leitura dos territórios a partir de memórias, afetos, corpos e relações.
Anderson de Sousa Lima
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Segurança Pública da Universidade Vila Velha
Orientadora: Profa. Dra. Maria Riziane Costa Prates
Como a escola pode ser, ao mesmo tempo, um espaço de vigilância, violência e controle, mas também um lugar de acolhimento, pertencimento e resistência?
Esta pesquisa de doutorado investiga como jovens LGBTQIAPN+ que estudaram em escolas públicas de Vila Velha, na Região Metropolitana da Grande Vitória, recordam, narram e cartografam suas experiências de convivência, proteção e vulnerabilidade no ambiente escolar.
O estudo parte da compreensão de que segurança pública não significa apenas prevenir crimes ou ampliar a vigilância. Também envolve criar condições para que diferentes corpos, identidades e formas de existência possam permanecer, circular, conviver e aprender com dignidade.
Por meio de rodas de conversa, entrevistas, registros territoriais participativos e cartografias sensíveis, a pesquisa busca identificar os espaços físicos, afetivos e relacionais que foram percebidos como acolhedores, perigosos, ambíguos ou protetivos. Esses espaços podem estar em um corredor, uma sala, um pátio, um grupo de amizades, uma conversa ou uma rede de apoio.
A investigação dialoga com autores e autoras da filosofia da diferença, dos estudos de gênero, da teoria queer, da educação e da segurança pública, especialmente Michel Foucault, Judith Butler, Guacira Lopes Louro, Gilles Deleuze, Félix Guattari, Suely Rolnik, James Jasper e outros pesquisadores.
O objetivo é produzir conhecimento acadêmico e materiais aplicados que contribuam para a construção de escolas mais seguras, inclusivas e habitáveis para pessoas LGBTQIAPN+.
O texto é suficientemente acessível para o público geral, mas mantém a densidade necessária para apresentar a pesquisa a professores, pesquisadores, gestores e instituições.
Conheça a pesquisa, acompanhe o percurso e acesse os materiais produzidos.
SEGURANÇA PÚBLICA EM ESPAÇOS LIVRES:
Práticas de acolhimento e resistência de pessoas LGBTQIAPN+ nas escolas públicas do Espírito Santo
Tema: Doutorado em Segurança Pública
Local: Vila Velha e Região Metropolitana da Grande Vitória
Participantes: Jovens LGBTQIAPN+ maiores de 18 anos, egressos de escolas públicas
Período: 2025–2029, conforme o cronograma acadêmico da tese
A pesquisa de doutorado investiga como jovens LGBTQIAPN+ egressos de escolas públicas de Vila Velha, no Espírito Santo, vivenciaram, narram e cartografam suas trajetórias escolares. Parte-se do entendimento de que a segurança nas escolas não pode ser reduzida à vigilância ostensiva, às rondas policiais ou à presença de agentes armados: ela também envolve condições concretas de acolhimento, reconhecimento, convivência e pertencimento. As relações entre corpos diversos e as táticas aprendidas no processo de amadurecimento juvenil.
Embora as violências escolares sejam frequentemente tratadas apenas como episódios de criminalidade ou indisciplina, estudantes LGBTQIAPN+ enfrentam formas cotidianas de agressão verbal, humilhação, discriminação, silenciamento e exclusão. Essas experiências, atravessadas pela heteronormatividade institucional, podem transformar a escola em um espaço de medo e exposição, especialmente para pessoas trans, travestis e jovens com expressões de gênero dissidentes. Pessoas dissidentes acabam aprendendo sozinhos a reorganizar seus padrões para que seus corpos e suas identidades façam parte da sociedade.
Ao mesmo tempo, a pesquisa busca evidenciar as formas de resistência produzidas nesses contextos. Por meio de narrativas orais e cartografia colaborativa, serão identificados os “espaços livres”, as redes de amizade, as políticas de alegria e as microzonas de proteção que esses jovens criaram ou ocuparam para permanecer na escola, construir vínculos e afirmar suas existências.
Como jovens LGBTQIAPN+ egressos de escolas públicas de Vila Velha narram e cartografam redes de amizade, espaços livres e estratégias de resistência criadas para permanecer, pertencer e se proteger diante das violências de gênero e sexualidade no ambiente escolar?
Investigar como jovens LGBTQIAPN+ egressos de escolas públicas de Vila Velha vivenciaram violência, acolhimento e pertencimento, construindo estratégias e espaços de proteção, para subsidiar ações que tornem as escolas mais seguras e inclusivas.
Dar visibilidade às experiências de jovens LGBTQIAPN+ nas escolas públicas, fortalecendo políticas e práticas de proteção, pertencimento e inclusão capazes de enfrentar violências e promover ambientes escolares mais seguros e habitáveis.
Ideias que orientam a pesquisa
A revisão de literatura articula estudos sobre violência e segurança escolar, gênero, sexualidade e juventudes LGBTQIAPN+, mobilizando autores como Foucault, Butler, Louro, Deleuze e Guattari para compreender tanto os mecanismos de controle e exclusão quanto as redes de afeto, resistência e pertencimento produzidas no cotidiano das escolas.